⚠️ COLUNA DE HUMOR: O caso que inspira este texto é tristemente real. As piadas, exageros e comentários ácidos são pura criação humorística do Alex Padre.
Tem gente que chega para uma visita no presídio levando uma sacolinha. Tem gente que leva biscoito. Tem gente que leva produto de higiene. E tem gente que, num surto de empreendedorismo, pensa: "Vou levar 490 chips. Vai que alguém lá dentro está sem sinal, né?"
A Polícia Penal apreendeu 490 chips de telefonia celular durante a revista de uma visitante na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá.
Isso mesmo. Quatrocentos e noventa.
Quando passou de 400, já deixou de ser visita e virou abertura de franquia. Se a moça tivesse levado mais dez, já podia pedir CNPJ e abrir inscrição estadual.
ERA CHIP DEMAIS PARA UMA ENTRADA SÓ
O material foi detectado durante a revista com o equipamento de BodyScan. E aqui começa aquela parte em que qualquer frase parece ter duplo sentido sem a gente precisar fazer o menor esforço.
A máquina identificou que havia um pacote suspeito. Um pacote. Com 490 chips. É muita linha para uma pessoa só tentar colocar para dentro de uma vez.
O BodyScan deve ter olhado aquilo e pensado: "Minha senhora, isso aqui é uma revista de segurança ou uma convenção de revendedores?"
A máquina provavelmente nem apitou. Deve ter piscado uma luz verde e falado: "Bem-vinda à loja. Retire sua senha no guichê ao lado."
A TRINDADE DA CONEXÃO: TIM, CLARO E VIVO
Segundo as informações divulgadas, havia chips de diferentes operadoras. TIM. Claro. Vivo. Uma verdadeira diversidade empresarial do crime. O pacote era tão democrático que só faltou uma placa na testa: "Aceitamos portabilidade."
Se o policial perguntasse: "Qual operadora você prefere?" A resposta estava ali, clara: "Todas. O mercado é livre e não vamos limitar as possibilidades dos nossos clientes."
É bonito ver o espírito empreendedor brasileiro. Errado, obviamente. Mas muito empreendedor.
O SINAL ESTAVA FORTE, MAS A IDEIA NÃO
Vamos combinar uma coisa básica. Uma pessoa com um chip pode estar precisando de uma linha. Uma pessoa com dois chips quer separar a família do trabalho. Uma pessoa com três pode trabalhar com vendas.
Com 490... já precisa contratar setor de RH.
Isso não é mais celular escondido. É estrutura corporativa de multinacional. Já dava para montar o organograma do pavilhão:
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Diretor de Telefonia
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Gerente de Recarga
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Supervisor de Portabilidade
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Coordenador de Grupo de WhatsApp
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Estagiário encarregado de responder: "Bom dia, seu protocolo de atendimento é 847392. Aguarde na linha."
O PLANO ERA ENTRAR. MAS NÃO TINHA COBERTURA
O detalhe mais irônico dessa história toda é que aparentemente havia vários planos envolvidos. Plano da TIM. Plano da Claro. Plano da Vivo. E possivelmente um quarto: o plano de conseguir entrar com tudo isso.
Esse último apresentou forte instabilidade. Sem cobertura. Sem conexão. E, pelo visto, sem nenhuma possibilidade de renovação contratual. Porque quando o BodyScan entrou em operação, o plano caiu antes mesmo de completar a primeira chamada.
“CLARO QUE VAI DAR CERTO”
A reunião de planejamento antes dessa tentativa deve ter sido uma obra de arte: — Tem certeza disso? — Claro. — Mas e se descobrirem? — TIM que pensar positivo. — E se der problema? — Vivo um dia de cada vez.
Pronto. Silêncio na redação. Agora já gastamos oficialmente o estoque nacional de trocadilhos com operadora de celular.
QUASE 500 LINHAS E NINGUÉM PARA ATENDER
Imagine a logística de administrar 490 chips. Um toca. O outro recebe SMS. Um terceiro perde sinal. O quarto pede código de confirmação. O quinto é adicionado no grupo da família. O sexto recebe aquela mensagem clássica: "Parabéns! Você ganhou um prêmio de R$ 50 mil do Faustão. Clique aqui."
Com 490 números para gerenciar, até o golpista ia olhar a planilha e falar: "Gente, também não precisa exagerar na carga de trabalho, né?"
JÁ PODIA OFERECER O COMBO FAMÍLIA
Com essa quantidade absurda, dava para montar um plano familiar para todo mundo: a família, os parentes, os amigos, os amigos dos parentes, o grupo do futebol, o grupo de oração, o grupo "Bom Dia com Flores", o grupo "Bom Dia com Flores 2"...
E ainda sobrava número para aquele cidadão insuportável que muda de WhatsApp toda semana e te manda mensagem: "Salva meu número novo." De novo.
PORTABILIDADE CANCELADA
No fim das contas, a mercadoria foi apreendida. Ou seja: Havia linha. Havia operadora. Havia pacote. Havia uma enorme intenção de conexão.
Mas faltou aquilo que todo plano realmente precisa: cobertura. E essa tentativa, definitivamente, ficou fora de área de serviço.
Moral da história: Se aparecerem 490 chips juntos novamente na porta de uma penitenciária, talvez nem seja necessário chamar a polícia. Chamem primeiro um gerente da Anatel. Porque aquilo ali já não é mais contrabando. É expansão agressiva de mercado.
6Viru Isso!| COLUNA DE HUMOR Informação com sinal. Sarcasmo sem franquia. E nenhuma garantia de que a nossa linha editorial permaneça séria depois de uma notícia dessas.