Se você achava que o maior perigo noturno em Mandaguari era cair em buraco de estrada rural ou cruzar com assombração política em ano de debate, parabéns, você errou feio. A zona rural e até o pátio de empresas locais ganharam um novo xerife. Um xerife de garras afiadas, manchas exclusivas e um apetite que faria inveja a qualquer frequentador de rodízio de churrascaria.
Uma onça-pintada legítima resolveu adotar o município como seu resort particular. O felino, que segundo as autoridades não dava as caras por estas bandas há cerca de 40 anos, decidiu tirar o atraso. Na Vila Rural, o rastro de destruição é digno de uma comitiva inteira: bezerro, peru, galinhas e até cães da vizinhança sumiram no estômago da bonita. O prejuízo para os pequenos produtores é real e dói no bolso, mas a resposta das autoridades esbarra naquela velha e conhecida barreira: a burocracia do tamanho de um bonde.
Nem toque no bicho!
Para o agricultor que está vendo seu sustento virar janta de felino, a vontade é resolver o problema na base do estalo. Mas tire o cavalinho da chuva. Graças à Lei de Crimes Ambientais, se alguém encostar um dedo na pelagem da dona onça, vai ver o sol nascer quadrado por até um ano e ainda assinar um cheque de R$ 5.000,00 em multas para o governo federal. O bicho tem mais proteção jurídica que trabalhador com estabilidade.
As opções de Mandaguari se resumem a esperar a boa vontade do Instituto Água e Terra (IAT) e da Polícia Ambiental. O plano oficial? Montar armadilhas de caixa, torcer para o felino decidir entrar nelas e, se tudo der certo, usar dardos tranquilizantes com uma equipe de biólogos digna de um documentário da National Geographic. Até lá, a recomendação oficial para os moradores parece piada de boteco: recolher os animais cedo, acender os refletores e não andar sozinhos à noite. Basicamente, rezar para a onça preferir o cardápio do vizinho.
Close de modelo e crise de vaidade
Se a situação na colônia é de pânico e prejuízo, na área industrial o bicho virou comédia. Em um flagrante espetacular feito por câmeras de segurança na última quarta e quinta-feira, a onça-pintada resolveu invadir o pátio da multinacional Superbac.
E não pense que ela estava atrás de insumos agrícolas. O felino passou longos minutos deitado em frente à porta de vidro, brincando com o próprio reflexo. É isso mesmo: a onça de Mandaguari é vaidosa. Enquanto o trabalhador se descabela pensando no preço do arroz, o maior predador do Paraná está gastando o tempo admirando a própria beleza na vidraça alheia.
O acesso à empresa foi restrito para equipes especializadas, e o mistério continua. Resta saber se o IAT vai conseguir capturar a felina antes que ela monte um perfil nas redes sociais ou termine de limpar o estoque de gado da região. Fique de olho, porque em Mandaguari, se correr o bicho pega, e se a burocracia travar, o bicho come.
Este vídeo mostra as primeiras imagens da câmera de segurança que confirmaram os ataques da onça na Vila Rural de Mandaguari e o desespero dos sitiantes com os prejuízos.
Fonte/Créditos: Alex Domingues / IAT / Polícia Ambiental / Relatos Locais
Créditos (Imagem de capa): Reprodução / Câmeras de Segurança / Redes Sociais
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